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domingo, 3 de março de 2013

Ser negro é antes de tudo, Sofrer....


Vindo de outras eras,
Em sua intermitente vicissitude
O abutre (a ave da escravidão)
Em pleno Brasil XXI,
Ainda erra à miúde
E ainda faz da alma dos homens ninho.
Pois quem é negro ainda sofre,
E ainda há muito que sofrer
Nessa terra ingrata e ínvia
Que ele mesmo ajudou a erguer,
O quanto é humilhante
Negro ainda nascer.

Eles mentem,
E relativizam
Dizendo que
Não há preconceito,
E nem o que temer.
Que as cotas acabaram 
Com todos esses clichês,
Só que esse espectro maldito
Rondará a órbita da terra
Enquanto o homem aqui viver.

E se achares que não sei o que digo,
Ou que sou um revoltado, um maldito, mas,
Não precisas ir longe, nem ao menos perito,
Pois, pra entender do que digo,
Ah meu irmão, é muito simples eu explico:
Bastas apenas um dia, apenas um dia,
Na pele da gente 
Pra saber do motivo,
Que inda somos tratados
Como reles cativos.

Então lanço-vos um desafio:
Se quiseres saber 
O que é negro ser,
Por um dia apenas,
Que vista a roupa da pele dele 
Para ter a exata certeza,
Que os outros desdenham
A nossa cor preta
E que nunca haverá
A justiça terrena.

Só assim entenderá...
Quando a porta do banco travar,
A mulher ao lado, a bolsa apertar,
A senhora no ônibus mudar de lugar,
O PMs na blitz só te parar,
Quem vem na calçada parar de andar
E quem vem lá no carro, o vidro levantar,
Se você perto dele, algo for perguntar...
Não se preocupe, pois já é suspeito,
Sem nem imaginar...

Só assim saberá,
Que este mundo que habitas e reina,
Nunca deixará de te negar
A desgraça do mundo em que vive
E o inferno no qual esta, jamais sairá.
Mas eu uma coisa vos digo,
Ah, essa verdade terei que falar:

Ou a humanidade falhou,
Ou o brado que o poeta à deus enviou,
Ele sonso e sabido,
Fez que não escutou,
Quebrou o pau no ouvido

Se fazendo mercador!